HPV e Vacina

Já chegaram ao Brasil as vacinas para prevenir a infecção pelo HPV.

Há uma centena de tipos de HPV, mas a maioria das infecções é causada por apenas quatro deles. As versões 16 e 18 do vírus são responsáveis por 70% dos casos de câncer de colo de útero. Já os HPV 6 e 11 respondem por 90% das verrugas genitais.

Fabricada pelo laboratório Merck Sharp & Dhome, a Vacina Quadrivalente (Gardasil) contra o HPV protege contra quatro tipos do vírus – 6, 11, 16 e 18 -, que são responsáveis por 70% dos casos de câncer do colo de útero e por 90% das verrugas genitais e está indicada em mulheres entre 9 e 26 anos de idade.

Fabricada pelo laboratório GSK , a Vacina Bivalente (Cervarix), também chamada de Vacina contra HPV oncogênico da GSK, protege contra os vírus 16 e 18.

Segundo informações dos fabricantes, "As vacinas demonstraram alta eficácia contra as infecções incidentes e persistentes, contra as anormalidades citológicas e o desenvolvimento histológico de NIC associados ao HPV-16 e ao HPV-18". Em ambas, a idade recomendada da vacinação é a mesma.

Os fabricantes apresentam pesquisas suficientes que mostram uma proteção duradoura nas mulheres vacinadas para o risco de câncer de colo do útero. Solicitamos que entre em contato com seu médico pessoal para saber as vantagens da vacina contra HPV.

Por que a infecção pelo HPV preocupa?
É a DST mais frequente, cerca de 50% da população sexualmente ativa vai entrar em contato com o HPV em algum momento da vida.
No mundo todo acredita-se que aproximadamente 30milhões de pessoas tenham verrugas ocasionadas por HPV, aproximadamente 10 milhões de mulheres tenham lesões intra epiteliais de alto grau no colo uterino e 500 mil casos de câncer do colo uterino.
O INCA (Instituto Nacional do Câncer) informa a ocorrência de 18.000 casos novos de câncer do colo uterino no Brasil a cada ano, e que aproximadamente 4.000 mulheres morem de câncer do colo uterino no Brasil.

O que é a vacina contra o HPV?

É a vacina criada com o objetivo de prevenir a infecção por HPV e, dessa forma, reduzir o número de pacientes que venham a desenvolver câncer de colo de útero. Foram desenvolvidas duas vacinas contra os tipos mais presentes no câncer de colo do útero (HPV-16 e HPV-18). Mas o real impacto da vacinação contra o câncer de colo de útero só poderá ser observado após décadas. Há duas vacinas comercializadas no Brasil. Uma delas é quadrivalente, ou seja, previne contra os tipos 16 e 18, presentes em 70% dos casos de câncer de colo do útero e contra os tipos 6 e 11, presentes em 90% dos casos de verrugas genitais. A outra é específica para os subtipos 16 e 18.

Qual é a diferença entre o HPV e a vacina?
Como podemos ver no quadro abaixo o HPV é composto por uma cápsula e o DNA no interior e a vacina consiste apenas da cápsula sem DNA no seu interior.
Inicialmente estudos evidenciaram a parte genética do HPV, o DNA do HPV.
Um local específico do DNA do HPV é responsável pela produção das cápsula do HPV.
Estudos usando fungos (Sacaromices Cerevisiae) além de células de insetos permitiu a produção de uma cápsula semelhante à cápsula do HPV

Como a vacina funciona?
A pessoa que recebe a vacina por via intra muscular nas doses indicadas irá estimular a produção de anticorpos específicos para cada tipo de HPV que contém a vacina. Teremos um elevado nível desses anticorpos que persistiram  durante anos.
Quando a pessoa vacinada entrar em contato com o HPV esses anticorpos irão inativar este HPV impedindo que ele se instale e se multiplique. Dessa maneira impede a progressàao da infecção pelo HPV.

Qual é a via de administração da vacina?
É injeção intramuscular.

Quantas doses são indicadas?
Ambas vacinas existentes são indicadas 3 doses sendo que a vacina quadrivalente ( da Merck ) é indicado 0, 60 dias e 180 dias e a bivalente (da GSK) é indicada em 0, 30 dias e 180 dias.

Existe risco de infecção pela vacina?
Não.
No desenvolvimento da vacina conseguiu-se identificar a parte principal do DNA do HPV. Depois, usando-se um fungo (Sacaromices cerevisiae), obteve-se apenas a “capa” do vírus, que mostrou induzir fortemente a produção de anticorpos quando administrada em humanos.

Qual o tempo de proteção após a vacinação?
A duração da imunidade conferida pela vacina ainda não foi determinada, visto que só começou a ser comercializada no mundo há cerca de dois anos. Até o momento, só se tem convicção de cinco anos de proteção. Na verdade, embora se trate da mais importante novidade surgida na prevenção à infecção pelo HPV, ainda é preciso delimitar qual seu alcance sobre a incidência e a mortalidade do câncer de colo do útero.

É preciso dose de reforço?
Até o momento não.
 Somente com o passar dos anos e a continuidade dos estudos saberemos se irá precisar de reforço.

A vacina pode proteger contra outros tipos virais de HPV além dos tipos contidos na vacina?
Sim. Os estudos mostram que existe proteção cruzada ou seja a vacina protege contra outros tipos de HPV.

A vacina tem feitos colaterais? Pode levar a morte?
Os efeitos colaterais mais freqüentes são mal estar semelhante à gripe e dor no local da injeção que não é intensa.
Até o momento não teve nenhum caso de morte pela vacina.

Se tenho HPV posso tomar a vacina?
Pode. Porém a vacina não vai proteger contra o HPV que a pessoa está infectada.

Posso  saber que a vacina foi efetiva ou seja pegou?
Não, pois apesar de sabermos que os níveis de anticorpos para o HPV são altos após a vacinação não existe exames comerciais disponíveis que confirmem estes anticorpos.

A vacina pode ser prejudicial  à criança se a mulher estiver grávida?
Até o momento não tem  descrito perigo para a criança durante a gravidez.
A vacina para Hepatite B que já é utilizada há muitos anos não tem risco para a criança durante a gravidez.
Talvez a vacina do HPV  tenha o mesmo comportamento que a vacina da Hepatite B, mas somente com o tempo saberemos. Dessa maneira é aconselhável que a mulher engravide 1 mês após a terceira dose de vacinação, e se a mulher engravidar durante o período de vacinação é importante informar seu  médico.

É importante fazer algum exame antes de ser vacinado? Preciso saber se tenho HPV?
Não é necessário nenhum exame antes de ser vacinado,
Porém nada impede que antes da vacinação seja realizado exames como a pensicopia, colposcopia e Papanicolaou para saber se tem ou não algum tipo de infecção pelo HPV.

A vacina de HPV pode ocasionar algum tipo de câncer?
Como falamos anteriormente a vacina contém apenas a cápsula e não tem material genético ou seja DNA , sendo assim não tem porque causar algum tipo de câncer. Até o momento não teve nenhum caso descrito de câncer devido à vacinação do HPV.

A pessoa que foi vacinada pode ter relações sexuais sem preservativos pois já está protegida?
A vacinação irá proteger contra alguns tipos de HPV, não protegerá contra todos os tipos de HPV e não protege contra outras DST como sífilis, gonorréia, HIV, etc.
Portanto o uso de preservativo continua sendo fundamental para proteger contra as DST e a gravidez indesejada.

A mulher vacinada precisa continuar fazendo o exame de prevenção para o câncer do colo uterino?
Até o momento sim.
Independente da vacinação a mulher ainda deve continuar  fazendo o exame de prevenção rotineiramente, ou seja o Papanicolaou até que estudos futuros permitam mudanças na prevenção.
A mulher deve iniciar o exame de prevenção após os 25 anos de idade ou 3 anos após o início da atividade sexual.

Quem pode ser vacinado?
No Brasil está aprovado o uso da vacina para mulheres de 9 a 26 anos.
Está para ser aprovada a utilização para homens.

A forma como as informações sobre o uso e a eficácia da vacina têm chegado à população brasileira é adequada?
Não. É preciso que fabricantes, imprensa, profissionais e autoridades de saúde estejam conscientes de sua responsabilidade. É imprescindível esclarecer sob que condições a vacina pode se tornar um mecanismo eficaz de prevenção para não gerar uma expectativa irreal de solução do problema e desmobilizar a sociedade e seus agentes com relação às políticas de promoção e prevenção que vêm sendo realizadas. Deve-se informar que, segundo as pesquisas, as principais beneficiadas serão as meninas antes da fase sexualmente ativa, que as mulheres deverão manter a rotina de realização do exame Papanicolaou e que, mesmo comprovada a eficácia da vacina e sua aplicação ocorra em larga escala, uma redução significativa dos indicadores da doença pode demorar algumas décadas

Qual o impacto desta nova tecnologia para a política de atenção oncológica e para o SUS?
A vacinação não substituirá a realização regular do exame Papanicolaou (preventivo). Trata-se de mais uma estratégia possível para o enfrentamento do problema. Ainda há muitas perguntas relativas à vacina sem respostas:
- Ela só previne contra as lesões pré-cancerosas ou também contra o desenvolvimento do câncer de colo de útero?
- Qual o tempo de proteção conferido pela vacina?
- Levando-se em conta que a maioria das infecções por HPV é facilmente debeladas pelo sistema imunológico, como a vacinação afeta a imunidade natural contra o HPV?
- Como a vacina afeta outros tipos de HPV associados ao câncer de colo de útero?
- Se os tipos 16 e 18 forem efetivamente suprimidos, outros tipos podem emergir como potencialmente associados ao câncer de colo do útero?
Todas essas perguntas precisam ser respondidas antes de a vacinação ser recomendada como política de atenção oncológica.
Um comitê de Acompanhamento da Vacina, formado por representantes de diversas instituições ligadas à Saúde e liderado pelo INCA, avalia, periodicamente, se é oportuno recomendar a vacinação em larga escala no país. Até o momento, o comitê decidiu pela não incorporação da vacina contra o HPV no Programa Nacional de Imunizações (PNI).

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